Oct
18
2010

Biometria no Auto-atendimento

Módulo fingerprint

Módulo fingerprint

O tema não é novo, pois já temos pelo menos 2 gerações de dispositivos biométricos sendo utilizados em ATMs aqui no Brasil. São os seguintes readers: fingerprint, fingervein e palmvein. Vou falar um pouco sobre cada um deles.

FingerPrint Reader
Se possível fosse, o fingerprint reader seria o avó dos dispositivos biométricos, em uso em larga escala no Auto-atendimento. Equipando desde notebooks, catracas eletrônicas e demais pontos de controle de acesso, e até ATMs, esse dispositivo consiste de uma pequena área um pouco maior que uma moeda, onde você pressiona seu dedo (normalmente o polegar), para a leitura eletrônica de sua impressão digital (fingerprint). Magnífico! Afinal de contas, há tempos impressões digitais tem sido utilizadas como meio de identificação única dos indivíduos. É muito mais confiável do que a rubrica! Além disso, como se trata de tecnologia já largamente disseminada, fingerprint readers são relativamente baratos.

Leitor biométrico fingervein

Leitor biométrico fingervein

Se é tão perfeito, porque esse dispositivo não é a primeira escolha quando se pensa em dispositivo de segurança para o Auto-atendimento? Simples, assim como todo o tipo de regra foi feita para ser quebrada, todo novo dispositivo de segurança está fadado a ter sua segurança burlada.
Fato é que impressões digitais são clonáveis. Isso é fácil, já foi feito várias vezes (a primeira vez foi hás uns 15 anos atrás), e esse é o principal ponto negativo da segurança baseada em fingerprint. Além disso, existe um problema mais simples relacionado ao uso desse dispositivo: o toque! Você já viu o estado em que fica um ATM após 1 ano de operação em um grande centro urbano? Pois é, a sujeira toma conta de todas as áreas externas do equipamento, mas principalmente aquelas que são efetivamente tocadas pelas pessoas, como por exemplo o teclado. É fácil de entender, as pessoas suam, algumas não se preocupam tanto com a higiene e o que temos no final é um fingerprint reader que não lê mais nada. Além disso, colocar o dedo em um lugar onde centenas de pessoas já colocaram é realmente invasivo , e por isso essa tecnologia tem uma grande rejeição do publico de Auto-atendimento em geral.
Com tudo isso, o fingerprint tem sido mais utilizado em ambientes e situações mais controlados. Exemplos de sucesso são: controle de acesso para utilização interna aos estabelecimentos, controle de acesso a computadores pessoais e dispositivos de armazenamento.

FingerVein Reader

Biometria por padrões de veia

Biometria por padrões de veia

Depois que a segurança do fingerprint foi quebrada, a indústria se mexeu em busca de uma tecnologia mais confiável. Criado pela empresa japonesa Hitachi, a solução fingervein resolveu com folga todos os problemas envolvidos na tecnologia baseada em fingerprint, com a vantagem de que a solução é mecanicamente e operacionalmente equivalente a solução baseada em fingerprint, ou seja, para olhos leigos, os dois leitores são muito parecidos (depois de montados em suas bases finais):

Mas as semelhanças param por aí. A tecnologia envolvida no fingervein é conhecida como Vein Pattern, que é Padrão de Veias. Nessa tecnologia, a identificação única é alcançada ao se ler o padrão no qual as veias estão dispostas dentro do dedo da pessoa. Esse padrão de disposição das veias é diferente entre os dedos da mesma pessoa, e também é diferente entre gêmeos idênticos, e imutável ao longo da vida adulta, de modo que é uma maneira bastante confiável de se identificar únicamente a pessoa.

A leitura é realizada através de um método relativamente simples: utilizando-se de diodos um infra-red é emitido junto ao dedo. A luz que penetra o dedo é absorvida pela sangue, e portanto não reflete ou transpassa o dedo, de modo então que uma câmera especializada receberá a luz refletida, com uma série de emaranhados de área mais escura, relativas às veias no interior do dedo, e assim um padrão é criado, com base nessa “configuração” emaranhada de veias:

Funcionamento biometria da veia

Funcionamento biometria da veia

Tudo isso ocorre sem o contato com o leitor. Na verdade o dedo fica apoiado em um gabarito mínimo, de modo que aqueles problemas de invasividade e alta taxa de manutenção são sensivelmente reduzidos.
Show de bola! E tem algum problema? Se tem, ainda não passa de conceito. Ocorre que, pegar, digamos, um dedo separado do corpo humano e tentar uma autenticação válida não funciona (ainda bem!). Porém, em teoria, seria possível ler a configuração de veias do dedo, e reproduzi-las em um dispositivo como um finger dummy, e daí inserir algum tipo de líquido circulante, ou mesmo sangue de algum animal para conseguir uma leitura válida. Bem, tudo isso parece improvável demais, de modo que a tecnologia baseada em Vein Pattern deve permanecer por mais alguns bons anos.

PalmVein Reader

Biometria da palma da mão

Biometria da palma da mão

É baseada na mesma tecnologia do FingerVein, ou seja, a Vein Pattern. De fato, as duas são soluções concorrentes, de empresas japonesas. O palmvein é da Fujitsu, conhecido fabricante de ATMs (e de muitas outras coisas). A diferença óbvia nesse caso, é que ao invés de ler as veias do dedo, o que se lê são as veias da mão:
Uma importante diferença desse sistema em relação ao fingervein, é que para integrar o leitor, ocupa-se muito mais espaço. No entanto, no que concerne ao Auto-atendimento, isso não chega a ser um problema:

Em função da área para leitura e geração do padrão de veias, o sistema PalmVein é ainda mais preciso do que o FingerVein.

Comparando os sistemas

Leitor Biométrico de veias da palma da mão

Leitor Biométrico de veias da palma da mão

Além desses sistemas de identificação biometrica, existem vários outros, cada um com suas vantagens e desvantagens, o que acaba determinando onde essas tecnologias são mais adequadas para uso:
A precisão (Accuracy, na tabela), é uma das principais características a ser observada quando se pensa em aplicar uma dessas tecnologias de identificação biometrica. Por exemplo, as tecnologias baseadas em Vein Pattern tem uma precisão de 0,0001% (fingervein) e 0,00008% (palmvein) de gerar uma autenticação falsa, ou seja, a chance de você conseguir uma autenticação válida quando o sistema espera receber o padrão de veias de outra pessoa é 1 em 1 milhão (fingervein) e menos que isso (palmvein). Ou seja, é bom, mas não é perfeito.

Tabela de comparação de leitores de biometria

Tabela de comparação de leitores de biometria

E é por não serem perfeitos que, para as aplicações em Auto-atendimento, os dispositivos biometricos têm servido como auxiliares à identificação dos clientes. Normalmente são utilizando em conjunto com a identificação da conta do cliente, e sua senha. Isso resulta em uma combinação bastante segura.

Como é no Brasil
Um grande banco brasileiro já testou os 3 sistemas, e há cerca de 2 anos escolheu o PalmVein como seu sistema de identificação biometrica. Em suas aplicações, essa tecnologia é utilizada em adicional aos demais sistemas de identificação de seus clientes, como a identificação da conta e a senha.
Dado a boa aceitação do publico, é muito provável que esses sistemas se tornem cada vez mais comum nos bancos aqui no Brasil, principalmente em substituição a outros mecanismos de identificação como o Token, por exemplo.
Também será cada vez mais comum encontrar esses sistemas em: controles de acesso, computadores pessoais, sistemas de armazenamento e etc.

Fonte: Fagner Souza

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